Terça-feira, 2 de Maio de 2006

Amazónia...

Discurso do Ministro Brasileiro de Educação nos EUA
Este discurso merece ser lido.
Afinal não é todos os dias que um Brasileiro dá um "baile"
educadíssimo aos Americanos...

Durante um debate numa universidade nos Estados Unidos o actual
Ministro da Educação CRISTOVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que
pensava da internacionalização da Amazónia (ideia que surge com
alguma insistência  nalguns sectores da sociedade americana e que
muito incomoda os brasileiros).
Um jovem americano fez a pergunta dizendo que esperava a resposta
de um Humanista e não de um Brasileiro.
Esta foi a resposta do Sr. Cristovam Buarque:

"- De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a
internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos
não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso.
Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que
sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização,
como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser
internacionalizada, internacionalizemos também as reservas
de petróleo do mundo inteiro...O
petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto
a Amazónia    para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das
reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção
 de petróleo e subir ou não o seu preço.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria
ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os
seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono
ou de um país.
Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado
pelas decisões  arbitrárias dos especuladores globais.
Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar
países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização
de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer
apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas
peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse
património cultural, como o património natural Amazónico, seja
manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.

Não faz muito tempo, um milionário japonês decidiu enterrar com
ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele  
quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o
Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram
dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira
dos EUA. Por isso,  eu acho que Nova York, como sede das
 Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan
deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza,
Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade,
com sua beleza específica, sua história do
mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de
deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também
todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram
que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição
milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas
florestas do Brasil. Nos seus debates, os actuais candidatos à
presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar
 as reservas florestais do mundo em troca da dívida.

Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do
Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não
importando o país onde nasceram, como património que merece
cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazónia.

Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo
 como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas
trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.
Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para
 que a Amazónia seja nossa. Só >nossa! "

ESTE DISCURSO NÃO FOI PUBLICADO.
AJUDE-NOS A DIVULGÁ-LO.
Porque é muito importante...mais ainda, porque foi Censurado.
sinto-me:

publicado por MIMI às 13:33
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Quinta-feira, 13 de Abril de 2006

O melhor de Alvaro de Campos

Poema em linha recta

 

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,

Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,

Indesculpavelmente sujo,

Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,

Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,

Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,

Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,

Que tenho sofrido enxovalhos e calado,

Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;

Eu, que tenho sido cómico criadas de hotel,

Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,

Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,

Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,

Para fora da possiblidade do soco;

Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,

Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,

Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu um enxovalho,

Nunca foi senão - princípe - todos eles princípes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,

Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;

Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.

Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó princípes, meus irmãos, Arre, estou farto de semideuses!

Onde há gente no mundo? Então só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,

Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!

E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,

Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?

Eu, que tenho sido vil, literalmente vil, Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos

sinto-me: sem apetite
música: Um cão muito mau- Boitezuleica

publicado por MIMI às 17:13
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Domingo, 9 de Abril de 2006

"Obrigado"

Por vezes quando seguimos a nossa vidinha são nos ditas coisas que nos marcam, frases que tornam tudo mais claro, mais simples ou então que nos dão uma força enorme. Eis aqui algumas que já me dirigiram:

-"Obrigado"

-"Na prisão e no hospital é que se vêm os verdadeiros amigos."

-"Adoro-te"

-"Mais vale o arrependimento de tê-lo feito do que o de não ter", pois neste acrescenta-se a dúvida.

Estas são só algumas que me lembrei agora, poderia talvez dizer mais umas quantas... mas pronto.

Agora que penso no assunto não sei se alguma vex disse algo a alguem que o deixasse tão bem como me deixaram... se não disse na próxima oportunidade digo!!

*** Para todos aqueeles que ja me viram no meu melhor e no meu pior!

Especialmente para o Dinis que chega hj e para Sissy que é uma warrior!

 

 

sinto-me:
música: I believe- Ben Harper

publicado por MIMI às 11:34
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